sábado, 14 de novembro de 2015

Pray for Paris. Pray for the World.

Foto retirada da internet.

Sexta-feira treze. Nunca acreditei em superstições ignóbeis e no poder místico associado a este número. Hoje sei que será uma data inesquecível, à semelhança do que ocorre com o onze de setembro. As razões assemelham-se, os ideais terríficos também, a mente desumanizada preconiza tais adventos tão mortíferos e carnífices, tão indigentes e dolorosos. A Humanidade está ferida. Ferida pelo que ocorre pelo mundo, que cegamente preferimos esborrar do pensamento, mais fácil concentrar a nossa energia em gestos rápidos e mecânicos, na frieza desta sociedade que nos corrompe. Mas é aí que cinjo a minha maior inquietude: somos ovelhas porque assim o desejamos, mesmo que subconscientemente, preferimos a facilidade de sermos bem aceites pelos semelhantes do que a paixão de sermos Nós, diferentes e irreverentes, nos atos e nos afetos. Tenho o coração em ferida, pelos que se espumaram com os acontecimentos tenebrosos, pelos que ficaram sôfregos e inconsoláveis e pelos que, incrédulos e revoltados se deixam consumir pela raiva e pelo medo. Seguem-se inúmeros comentários racistas, xenófobos, desprezíveis como a violência de quem tira a vida. Uns movidos por uma fé repugnante e incompreensível, outros movidos pelo temor da aniquilação. Todos se assemelham na alma de essência negra e o que o planeta necessita é de amor. E o amor, esse, reside na paz, paz mundial, de espírito e de consciência. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Com gratidão, do paraíso.


Hoje é um daqueles dias cheios. Cheio de energia, cheio de pequenos e simples momentos, cheio de tarefas adiadas e concretizadas, cheio de amor e gratidão. E ainda não acabou. Acordei cedo e como faço há alguns anos, tomei a minha água morna com limão. Fascinada como sou pela ayurveda,(inicio um curso de terapeuta na área este mês, mais uma ótima notícia e objetivo cumprido), é um dos rituais vespertinos que pratico e que mais me revitaliza. Gostaria de iniciar os meus dias com meditação e yoga mas nem sempre o consigo, aliás, tem sido raro, mas estou a tentar voltar a esta rotina. A água serve desta forma para purificar e alcalinizar o organismo. Organizei a casa e a agenda, fiz um smoothie nutritivo, deliciei-me e fui ver o mar. Foram momentos mágicos com o meu fiel amigo. A nossa energia foi absorvida pelas poucas pessoas que nos rodeavam, na sua maioria estrageiros, turistas deste outono tardio em Portugal. A palete de cores mesclava as tonalidades quentes da estação com a pureza e o espírito selvagem da serra, o mar cor de cristal, a areia torrada pela luz do início de tarde e as pequenas pedras polimorfas, dispersas pela orla e humedecidas pela espuma do vaivém do oceano. Escrevo com um aroma difuso a granola. Escrevo enquanto os olhas brilham e o coração se expande. Parece, como a paisagem que me desenhou momentos de brincadeira, que tudo, aos poucos, se acerta. 














quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Diwali e a luz do recomeço.

Foto retirada da internet

Inúmeros acontecimentos maravilhosos ocorrendo, o início de uma fase auspiciosa e criativa, a reconexão profunda com o Eu ávido e fervilhante, a reflexão deleitosa e apaziguante sobre esta viagem interminável e incontornável. O Diwali dualiza o obscuro e a luz, o coração que se entrega devoto e, de outro lado, a essência que se esfuma na ingratidão e na intransigência, negra e seca como as sombras da alma desencontrada. Como o Rio Ganges que discorre místico, embalado por uma história de amor e imundície, culturalmente rica, colorida e sufocante, deixo-me encantar pela magia deste dia. Não sou hindu, mas o meu coração faz-se de hinduísmo e de ternura. Faz-se de entrega e de paixão. Faz-se de sonhos e de feitos. Faz-se ao de leve, em sintonia com a luz que me segue e me aquece o corpo, quando me dedico e me empenho, em mais um dia, em mais um renascer. O Diwali deste ano é especial, segue a minha caminhada, sinto-o a balbuciar-me palavras de afeto e de paz, hoje sei o quão importante és. Não tenho um Ganges para iluminar e perfumar, tenho, isso sim, toda uma vida para te conhecer e contemplar. Irei adormecer e, certamente, nadarei em ti, rodeada pelas pétalas em ti lançadas, imponente no teu brilho ofuscante, levitarei em flor de lótus, cerrando os olhos, serena, purificando as células e os órgãos, rejuvenescendo. Diwali, que bonito dia para recomeçar!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Desapego.



Tenho o coração cheio. Repleto de energias regeneradoras, que fluem frenéticas num emaranhado de ideias e aspirações. Tenho o coração a transbordar emoção, devoção e gratidão, num gesto efémero e perene de resiliência, finalmente. Os obstáculos sibilam ordens de derrota e eu anseio por me desprender. Desapego. Do ontem e do amanhã. Do pensamento alheio e dos meus medos. Da desconexão e da desorganização. Da sociedade mecânica e da civilização consumista. Levanta os braços em sintonia com as tuas entranhas e respira. Respira solenemente. Deixa que a Mãe Terra deslize pelas células entorpecidas dos teus pés e se funda ao teu Ser. O teu Ser ordeiro e inquietante. Encosta a palma das tuas mãos frágeis ao divino térreo do chão frio. Aquece-lhe a superfície áspera, enquanto sopras ao de leve sobre o ar que te adensa. Sê tu, todos os dias, nesse dia revitalizante, mais um, que te apraz e te saúda destemidamente, enquanto balanças o tronco e te ligas à calidez do piso humedecido pelo esforço da tua prática. Sê audaz, cerra os olhos e deixa o corpo fluir, ir e revir, liberta-te dessa consciência que te prende ao vulgar, segue a tua viagem até ao asana seguinte, segue a viagem da tua mente. Evolui, segue os teus ideais. Respira e tenta outra e outra vez. Não desiste. Não teme. Não. Não te preocupes. Sê feliz, levanta-te e expira. Une as mãos e os pés. Agradece. Samasthiti.