quinta-feira, 21 de maio de 2015

Estufado de lentilhas e batata doce

INGREDIENTES (serve 4 pessoas)




3 batatas doces pequenas

250 gramas de lentilhas laranjas

meio limão

2 dentes de alho

100 gramas de feijão verde

2 tomates maduros

2 cenouras

coentros frescos

gengibre em pó

curcuma em pó

grão de coentros moídos

pimenta preta moída

pimenta da Jamaica moída

noz moscada em pó

cravinho em pó

cominhos em pó

grãos de mostarda moídos

azeite

uma cebola

1 malagueta

sal a gosto





PREPARAÇÃO

Corte a cebola em rodelas. 
Corte também os legumes, as cenouras em rodelas (se forem biológicas não necessita de retirar a casaca,), as batatas doces descascadas e em cubos, e os tomates maduros em rodelas. Corte o feijão verde em tiras grossas.

Refogue a cebola num fio de azeite, até ficar transparente. Adicione os dentes de alho laminados. Junte os cubos de batata doce e as cenouras. Deixe apurar um ou dois minutos, adicione uma caneca de água (aproximadamente 250 ml) e sal a gosto.

Tempere com as especiarias, consoante desejar um sabor indiano mais ou menos intenso (coloquei mais curcuma e gengibre) e a malagueta cortada em tiras. Adicione o sumo de meio limão. Deixe cozinhar, em lume brando, uns 15 minutos. 

Acrescente o feijão verde. Se necessário, adicione um pouco mais de água. Deixe cozinhar uns  minutos.

Junte as lentilhas laranjas, cozinhe por mais 10 minutos.

Sirva decorado com com coentros picados.



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Arroz pilaf exótico

          O arroz pilaz é um arroz de especiarias, de aroma intenso e de sabor adocicado, muito popular no Médio Oriente, Ásia Central e do Sul, regiões dos Balcãs e do Cáucaso, África Oriental,  América Latina, Caribe e Índia. 

Tradicionalmente, a sua origem é atribuída aos turcos e aos persas. Uma das primeiras referências literárias ao arroz pilaf surge descrita nas histórias de Alexandre Magno. O prato tornou-se posteriormente conhecido na Macedónia e na Grécia. Os árabes, mais tarde, desenvolveram também a sua confecção, bem como os judeus e mais recentemente, os países da Ex União Soviética. Na cozinha hindú é um prato muito apreciado em ocasiões especiais, por ser de mais requintado e aromático.

Hoje em dia, um pouco por todo o mundo, a sua confecção é bastante conhecida e divulgada. É uma receita deliciosa para acompanhar legumes, que, a cada garfada nos leva a viajar até culturas exuberantes e coloridas, repletas de tradições milenares, de sensações vibrantes e inesquecíveis. 

Os grãos de arroz são levemente salteados em azeite ou manteiga clarificada - ghee, com cebola, até ficarem translúcidos. As especiárias são adicionadas para enriquecer este prato tão simples e maravilhoso. Após a cozedura em água, os grãos ficam soltos e os nossos sentidos despertam serenamente do outro lado do mundo. 


ARROZ PILAF EXÓTICO


INGREDIENTES



- 2 colheres de azeite
- 1 cebola picada
- 250 gramas de arroz basmati
- 1 pau de canela
- 3 sementes de anis-estrelado
- 3 frutos de cardomomo verde (esmagar e utilizar apenas as sementes)
- casca de 1 limão
- casca de 1 laranja
- 50 gramas de amêndoa laminada
- 50 gramas de pistachos picados e inteiros
- folhas de salsa
- folhas de coentros



PREPARAÇÃO


- Pré-aqueça o forno a 190 ºC

- Leve ao lume uma caçarola (tem de ser de material resistente ao forno) com o azeite e a cebola picada finamente. Deixe alourar.

- Adicione as especiarias, as cascas do limão e da laranja, um pouco de sal se desejar. Toste o arroz durante um ou dois minutos

- Adicione 500 ml de água quente e deixe ferver

- Retire a caçarola do lume, tape com o papel vegetal (faça um furo no meio, para deixar sair o vapor)

- Asse durante uns vinte minutos. Retire a caçarola do forno, deixe repousar uns minutos

- Toste as amêndoas. Retire o papel vegetal, adicione os frutos secos e por fim as ervas frescas picadas

- Acompanhe com legumes salteados ou caril de lentilhas, inspire-se!



domingo, 26 de abril de 2015

Tostinhas de Domingo

          O Domingo é aquele dia que flui leve, levemente. É um dia para me sentir, para o sentir a ele e para sentir o mundo. Respira-se gratidão, serenidade e o coração é aliviado de todas as inquietações semanais. Palpita-se amor, os momentos tecem-se docemente e o tempo parece esboçar o Ser, como forma de o purificar e revitalizar. 

       Hoje especialmente, de sentidos aguçados e sem grande vontade para me perder em receitas demasiados elaboradas e demoradas, decidi-me por um lanche, leve, como o meu domingo. O resultado, simples e fresco, a lembrar o verão, que teima em não chegar.



INGREDIENTES

2 tostas de cereais (escolhi umas com arroz, milho, quinoa e millet)
1 laranja
1 mão cheia de folhas de rúcula

Manteiga de amendoim:

1 taça de amendoins torrados
2 colheres de leite vegetal (aveia, soja biológica, amêndoa ou outro) 
uma pitada de sal (opcional)
açúcar ou mel (opcional)



PREPARAÇÃO

Triturar os amendoins, numa centrifugadora, inicialmente com a tecla pulse e depois uns minutos até criar uma pasta (deixar de parte alguns amendoins inteiros para decorar e criar texturas diferentes). 

Adicionar à pasta de amendoim o leite vegetal e se desejar, açúcar e um pouco de sal.

 Misturar tudo com uma colher e voltar a centrifugar até atingir a consistência desejada.

Barrar sobre as tostas a manteiga de amendoim. Cortar a laranja em tiras. Retirar a pele. Dispor as tiras de laranja sobre a manteiga de amendoim, Adicionar folhas de rúcula a gosto e alguns amendoins inteiros. 






quinta-feira, 23 de abril de 2015

Salada de Trigo Sarraceno, Agrião e Molho de Abacate, Laranja e Amendoins

INGREDIENTES

100 gramas de trigo sarraceno
1 laranja
1 pêra de abacate
Amendoins torrados
Folhas de agrião
Uma papaia
Uma beterraba
Um quarto de cebola roxa
Uma mão de frutos secos ou sementes (usei amêndoas e avelãs)




PREPARAÇÃO

Tostar ligeiramente o trigo sarraceno numa frigideira. Cozê-lo durante 15 minutos em 2 porções de água para uma de trigo.

Lavar muito bem os agriões e soltar em folhas

Retirar a polpa da pêra de abacate, triturar delicadamente com um garfo, regar com o sumo de meia laranja e adicionar os amendoins, alguns levemente partidos, outros inteiros.




Ralar a beterraba e reservar

Numa taça, adicionar o trigo sarraceno frio, colocar as folhas de agrião, pedaços de meia laranja e de papaia, a beterraba ralada, a cebola em tiras finas e por cima juntar o molho de abacate, laranja e amendoins torrados.

Se desejar, decore com frutos secos ou sementes.





domingo, 19 de abril de 2015

Yoga Ashtanga: tradição com a vivacidade refrescante de hoje




         O Yoga Ashtanga fascina pela sua elegância, vigor e tradição milenar. Fazer parte de uma prática tão antiga e tão maravilhosa é uma sensação mágica. Ainda hoje recordo com amor a primeira vez que senti, sob os pés despidos, o encanto de um shala de Yoga Ashtanga, quente e perfumado, enquanto o meu Ser levitava por entre melodias de ondas do mar, a deslizarem suavemente durante as respirações dos alunos. Ouvia o silêncio de ashtangis dedicados e compenetrados, o silêncio da luz de fim de tarde que embelezava os corpos humedecidos pelo rigor da prática, o silêncio apaziguador dos mantras entoados em unis-som no início e no final da aula. Ouvia, encantada, a transbordar gratidão, o universo a guiar-me até ao que seria o início de uma grande transformação interna. 
         
          Hoje sei que depois daquele dia, a minha alma se encontrou e iniciei um longo e desafiante percurso espiritual e físico. O Ashtanga requer uma disciplina e uma determinação profundas. Com o crescimento pessoal, a mente e o corpo são purificados e enriquecidos, somos protegidos da agressividade moderna, dos dias obscuros e confusos. O nosso estilo de vida e valores alteram-se, aprendemos a escutar a nossa voz interior, com quietude e serenidade. A bondade e compaixão instalam-se, procuramos discernir o que nos enaltece do que nos corrompe e destrói, nas relações pessoais, na alimentação, nos objectivos e nos sonhos. Aprendemos a aceitar-nos e a melhorar-nos. O corpo torna-se mais flexível e forte, é purificado e desintoxicado. O caminho é lento, por vezes tropeçamos, mas é tão belo e tão puro. 



          Quando, por algum motivo, deixamos de praticar ou a prática se torna inconstante, tal facto repercute-se nas nossas vivência e vicissitude. Por vezes a saudade magoa, outras vezes entristece-nos, e, rapidamente procura-mos reequilibrar o nosso organismo. A prática de Ashtanga deixa uma impressão dactilar no universo, uma pegada energética no ar, que nos conecta ao Ser e ao Mundo. E sem ele, o vazia instala-se. O Yoga Ashtanga é um tesouro valioso para a Humanidade.

      Sri Tirumalai Krishnamacharya  estudou o sistema de Yoga Ashtanga, com o mestre Ramamohan, baseando a sua aprendizagem no antigo manuscrito "Yoga Korunta" de Vanama-Rishi. Este livro continha os fundamentos do sistema Asana Vinyasa do Ashtanga Yoga. No Mysore, Krishnamacharya transmitiu os seus ensinamentos ao seu aluno mais antigo e experiente, Sri K. Pattabhi Jois., que ensinou e desenvolveu o que aprendera com satguri até deixar o mundo físico, em 2009. Criou o Sri K. Pattabhi Jois Ashtanga Yoga Instituto, no Mysore, que é até hoje o mais conceituado centro de estudo desta prática e onde chegam alunos de todo o mundo para aprender o método com devoção.


           O fundamento filosófico do Ashtanga Yoga encontra-se num outro livro, o “Yoga Sutra“ de Patanjali. É o texto mais importante do yoga clássico. Neste livro o yoga é definido como "o que leva a tranquilidade aos pensamentos". Através de um espírito calmo pode reconhecer-se a verdadeira natureza do Ser. Para atingir essa meta, Patanjali descreve oito fases (Ashtanga Yoga: ashta=oito, anga=passo, Yoga=sossego do espírito):



Yama (códigos morais)

Niyama (purificação e estudo)

Asana (posição)

Pranayama (controlo respiratório)

Pratyahara (controlo dos sentidos)

Dharana (concentração)

Dhyana (meditação)

Samadhi (contemplação)


       As raízes do sistema vinyasa do Ashtanga Yoga surgem também descritas no primeiro documento escrito pela humanidade, os Vedas.

              O método Ashtanga é um sistema dinâmico e vigoroso, baseado em 6 sequências. A prática inicia-se com Surya Namaskar A e B, de seguida executam-se os Asanas Fundamentais e logo depois o yogi pratica uma das series que se seguem, apenas avançado para a seguinte após ter aprendido a anterior:


Série Primária (Yoga Chikitsa)

Série Intermédia (Nadi Sodhana) ou Segunda Série

Série Avançada A (Terceira Série)

Série Avançada B (Quarta Série)

Série Avançada C (Quinta Série)

Série Avançada D (Sexta Série)


             A Série Primária tem como objectivo a limpeza dos órgãos e dos tecidos internos. Através do suor e do calor gerado, os líquidos corporais perdem viscosidade e o organismo é limpo de impurezas. A Série Intermédia pretende purificar o sistema nervoso. A Série Avançada A promove a força e o equilíbrio corporal e a concentração mental. As séries mais avançadas possibilitam atingir a transcendência mental e corporal. 


         A prática termina em Savasana, convidando ao relaxamento e à meditação. Deve praticar-se todos os dias, excepto ao Domingo e em dias de Lua (Lua Cheia e Lua Nova). As aulas são normalmente estilo Mysore, cada aluno pratica ao seu ritmo e consoante o seu nível, sob a supervisão atenta do professor.

           Quando a respiração, Pranayama Ujjayi, e o movimento, através de posturas (asanas) se unem, surge o Vinyasa. Os pensamentos dissolvem-se, no fluir do movimento. A respiração, contínua e profunda, como um murmúrio interno do oceano, gera um calor intenso e sereno, entre inspirações, nos movimentos ascendentes e expirações, nos movimentos descendentes. A prática avança subtilmente, permitindo a realização de esforços físicos com facilidade. 

           Existem três Bandhas que fucionam como válvulas energéticas internas. Mula Bandha consiste na contracção dos músculos pélvicos, importante durante a expiração, conectando o corpo ao elemento Terra. Uddiyana Bandha refere-se à contracção da musculatura abdominal inferior durante a inspiração, elevando o organismo em direcção ao elemento Ar. Estes dois Bandhas opostos criam uma dualidade de energias descendente e ascendente, que, quando balanceadas e equilibradas, criam uma harmonia interna e saudável. Jalandhara Bandha, por fim, não é utilizado em todos os movimentos e é conseguido baixando o queixo.

           Drishti é uma técnica de focalização do olhar e permite desenvolver a força de concentração. Existem nove drishtis distintos, associados a cada asana em específico.

          Tristana é a chave espiritual do Yoga Ashtanga, Refere-se ao conjunto de Vinyasa, Bandha e Drishti. Quando atingido este estado, a prática do shala conecta-se à nossa vida quotidiana.


           
          Acordar bem cedo para praticar Ashtanga, antes do nascer do sol, permite sentir a energia de mais um bonito dia que se inicia e a natureza revitalizante em redor. O Ashtanga é desafiante, é um longo caminho que requer empenho e dedicação, exingindo um compromisso árduo com a prática. Uma vez compreendido e assumido, esse  compromisso transforma-nos, eleva-nos, melhora-nos. Surge assim, a componente espiritual e trandescente da prática.

        O sistema Ashtanga pode ser praticado em qualquer shala do mundo. É isso que torna esta prática tão bela e tão rica. É como sentir-se em casa em todo o mundo, é como levar um pouco de nós ao mundo e trazer connosco um pouco da leveza e da liberdade desta prática universal.


             

segunda-feira, 2 de março de 2015

Tofu com Crosta de Quinoa e Legumes no forno




INGREDIENTES


  • 1 taça de quinoa *
  • 1 pedaço de tofu fumado *
  • 2 colheres de sopa de sementes de sésamo *
  • 1 dente de alho *
  • Coentros frescos *
  • 1 fio de azeite *
  • 2-3 colheres de sopa de soyu *
  • 1 colher de sobremesa de gengibre em pó *
  • 1 pedaço de 3-4 cm de gengibre freco ralado *
  • Oregãos secos *
  • 1 courgette *
  • 1 pedaço de 10 cm de abóbora *
  • 1 colher de sobremesa de caril
  • Sumo de um limão *
  • 2 sementes de cardomomo

*[produtos de origem biológica]


PREPARAÇÃO

  • Corte a courgette em rodelas finas e a abóbora em cubinhos. Tempere com um fio de azeite e oregãos.
  • Corte o tofu em tiras de cerca de 2 cm. Tempere com o sumo de um limão, o gengibre em pó e o sumo do gengibre fresco ralado. Deixe apurar cerca de 15-20 minutos
  • Coloque duas partes de água a ferver (para uma de quinoa). Adicione a quinoa e deixe cozer uns 20 minutos
  • Toste as semente de sésamos. Numa taça, misture a quinoa, o caril, os coentros picados, o dente de alho esmagado, as sementes de cardomomo, o soyu e as sementes de sésamo. Crie uma pasta cremosa
  • Disponha numa assadeira os legumes e o tofu com a crosta de quinoa por cima. Leve tudo ao forno durante cerca de 20 minutos

domingo, 1 de março de 2015

Hambúrgueres de Couscous de Espelta e Lentilhas em Cama de Couve Lombarda com Beringela no Forno




INGREDIENTES (para 4)


  • 4 folhas de couve lombarda *
  • 1 beringela *
  • 1 taça de lentilhas laranjas *
  • 1 taça de couscous de espelta *
  • 1 cenoura *
  • 1 courgette *
  • 2 dentes de alho *
  • 1 colher de sopa de soyu *
  • 1 colher de sobremesa de gengibre em pó *
  • 1 colher de curcuma *
  • Folhas de coentros *
  • Sumo de meio limão *
  • 1 colher de sobremesa de oregãos *
  • 2 fios de azeite *


* [produtos de origem biológica]



PREPARAÇÃO


  • Corte a beringela em rodelas finas. Disponha sobre uma travessa, Tempere com um fio de azeite e oregãos. Leve ao forno durante aproximadamente 15 minutos, até que fiquem douradas.
  • Disponha 1 taça de couscous de espelta numa saladeira. Leve ao lume 2 taças de água, Deixe ferver. Adicione a água ao couscous e tape durante 5 minutos. Deixe repousar.
  • Junte um fio de azeite a um tacho. Pique finamente duas cabeças de alho e deixe alourar. Rale a cenoura e corte em pequenos cubos a courgette. Adicione estes dois legumes ao tacho. Junte a curcuma, o gengibre em pó e os coentros picados. Esprema por cima o sumo de meio limão.
  • Leve duas taças de água ao lume. Quando ferver, adicione a folha de couve lombarda para escaldar durante 2 minutos. Retire e adicione a essa mesma água as lentilhas, Deixe cozinhar durante 10 minutos.
  • Adicione ao couscous de espelta os legumes e as lentilhas. Junte uma colher de sopa de soyu, Misture tudo muito bem. Forme pequenos hambúrgueres.
  • Num prato, disponha uma folha de couve lombarda e sobre ela um hambúrguer. Sirva com as rodelas de beringela assada.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Bulgur com Legumes de Aroma Indiano




INGREDIENTES




  • Bulgur *
  • 1 pedaço de 3-4 cm de gengibre fresco *
  • 4-6 cogumelos frescos *
  • 1 cenoura *
  • 1 courgette *
  • 1 alho francês *
  • 1 cabeça de brócolo *
  • 1 beringela *
  • 1 cebola *
  • 2-3 rabanetes *
  • sumo de 1/2 limão *
  • 1 pedacinho de abóbora *
  • 1 gotas de vinagre de ameixa
  • 1 colher de sobremesa de curcuma em pó 

*[produtos de origem biológica]



PREPARAÇÃO

  • Coza durante 10 minutos o bulgur - 1 parte de bulgur para 2 de água. Retire do lume e deixe repousar durante outros 10 minutos
  • Corte os cogumelos em lascas finas e a cebola, a courgette e a beringela em rodelas
  • Adicione a um tacho um fio de azeite e refogue os legumes. Adicione, posteriormente, a abóbora cortada em cubos pequenos. Adicione sumo de gengibre (rale o pedacinho e esprema o sumo), uma colher de sobremesa de curcuma e o sumo de meio limão
  • Escalde os bróculos durante 2 minutos
  • Rale a cenoura e reserve
  • Corte os rabanetes em rodelas, tempere com vinagre de ameixa e deixe apurar durante 10 minutos
  • Num prato, disponha o bulgur, sobre ele os legumes de sabor exótico e finalmente os brócolos
  • Sirva acompanhado com uma salada de pickles de rabanete e cenoura ralada










domingo, 22 de fevereiro de 2015

Misoshiro. Sopa de miso ♡





INGREDIENTES:

  • Miso Hatcho - 1 colher de sobremesa por taça de sopa
  • 1 cebola*
  • 1 nabo com rama*
  • 4 cenouras pequenas com rama*
  • 1 mão cheia de bróculos*
  • 1 tira de alga kombu
  • 1 pedaço de 3-4 cm de gengibre*
  • cogumelos shitake (usei o clássico paris por já ter em casa)*
*[Ingredientes de origem biológica]







PREPARAÇÃO







  • Comece por demolhar a alga kombu durante cerca de 10 minutos. Depois corte em pedaços e reserve.


  • Coloque numa panela um litro de água e adicione as rodelas de cenoura e de cebola, as lâminas de cogumelos. o nabo cortado aos cubos e os brócolos picados. Utilizei também as ramas das cenouras e do nabo, óptimas fontes de vitaminas e de fibra. Deixe cozinhar até ferver e adicione a alga kombu. 

  • Retire a quantidade de sopa desejada para uma taça quando os legumes estiverem cozidos.

  • Ponha o miso hatcho numa outra taça, retire um pouco da água quente para essa taça e dissolva o miso suavemente. Acrescente o miso já dissolvido à taça de sopa.

  • Rale o gengibre e esprema o sumo da polpa directamente na sopa.




Miso Love ♡



O miso surgiu recentemente na minha vida. Há alguns meses, senti uma enorme necessidade de alterar alguns dos meus hábitos quotidianos, procurando uma vida plenamente feliz, serena e de profundo bem estar físico e mental. Criei rotinas de vida saudável, e embora sempre tenha tentatado reger-me por um regime alimentar variado e cuidado, nem sempre as vivências e o ritmo frenético do dia-a-dia me permitiram ser focada, dedicada, motivada e determinada como o desejava. Por vezes deslizava no facilitismo de refeições rápidas e menos nutritivas, que me deixavam com fome e que me provocavam diversos sinais de mau-estar. Hoje sinto-me grata pelas maravilhosas descobertas que fui fazendo ao longo dos últimos meses e pelas belíssimas pessoas com as quais me tenho vindo a cruzar. São seres radiantes, repletos de luz e graciosidade, os quais me têm transmitido conhecimentos surpreendentes e fascinantes que são hoje um forte alicerce nesta busca de conhecimento pessoal. 

O miso foi amor. Como o yoga. Como o ashtanga vinyasa. Encontrei-o por acaso, enquanto pesquisava sobre alimentação macrobiótica. A macrobiótica também foi amor. Por ser mais do que alimentação,  por ser plenitude,  por ser um estilo de vida, uma "arte única que satisfaz os sentidos", por nos ajudar a "desenvolver o nosso potencial humano, ao seguir-mos as leis da natureza dum ponto de vista biológico, ecológico, social e espiritual". Um dia destes falarei sobre ela. 

O miso é utilizado no Oriente há séculos. Os japoneses referem que este alimento é um presente dos deuses para a humanidade. O miso é uma pasta fermentada, rica em sal marinho, feita a partir de feijões de soja e que adicionalmente pode conter outros cereais, como cevada ou arroz. A sua textura é pastosa e a cor varia entre o bege claro e o castanho escuro,  sendo o miso mais claro normalmente menos salgado e de sabor menos intenso que o escuro. Devido aos processos de fermentação que sofre, o miso contém bactérias ácido lácticas e fermentos vivos, extremamente benéficos para o equilíbrio da flora intestinal. Por conter enzimas não deve ferver.  Como tal, deve ser introduzido apenas no final da cozedura, após ser dissolvido em água quente.

Existem diferentes tipos de miso, consoante o cereal adicionado aos grãos de soja.

1 - Miso Hatcho: é uma extraordinária fonte de nutrientes concentrados, como aminoácidos,  vitaminas e minerais e uma óptima fonte de proteína, contendo 80% mais proteína (21%) e 20-25% menos sal que os outros tipos de miso. É baixo em calorias e gordura e possui cinco vezes mais fibra que a mesma quantidade de aipo. É a variedade com o sabor mais intenso e a textura mais densa e o menor conteúdo de hidratos de carbono (14%) e água (40%).

2- Miso Mugi: o melhor para uso diário,  mais frequente e mais fácil de encontrar, trata-se de uma combinação de soja com cevada. Possui um sabor adocicado e quente e um teor de proteína de 13%.

3- Miso Genmai: feito com soja e arroz integral, doce ao paladar, apresenta uma textura mais delicada e uma coloração mais clara.

O miso, delicioso e versátil, é um excelente condimento  que pode ser utilizado em variados pratos, nomeadamente sopas, vegetais estufados, cereais e leguminosas e na confecção de sofa e tofu. Por ser salgado, deve ser utilizado com moderação por quem sofre de hipertensão arterial.

O miso sofre normalmente um longo processo de fermentação láctica, entre 6 e 36 meses. O fermento utilizado é geralmente o koji, inoculado com Aspergillus oryzae. São inúmeros os benefícios de este puré de consistência amanteigada, considerado por muitos um dos alimentos mais saudáveis do mundo.

1 - Auxilia a digestão: é desintoxicante e uma importante fonte de proteínas,  enzimas e vitamina B12 (esta última controversa), auxiliando a regeneração da flora intestinal. Funciona como probiótico, graças às bactérias vivas que contém, melhorando a absorção de nutrientes e a imunidade.

2 - Ajuda a manter a memória e a estimular o cérebro: estudos de investigadores da Universidade de Nagoya, revelaram que o miso estimula neurónios sensoriais na pele e no estômago, aumentando o factor de crescimento semelhante à insulina 1 no hipocampo, importante para manter as funções cognitivas.

3 - Ajuda a melhorar a elasticidade da pele e a saúde do cabelo e das unhas: a substância que o miso produz no corpo aumenta a quantidade de colagéneo, e o suor, que hidrata e rejuvenesce a pele.

4 - Ajuda a prevenir a morte celular resultante da radiação: após as bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki, em 1945, muitos dos que socorreram as vítimas não sofreram os efeitos da radiação, muito provavelmente devido ao consumo de misoshuri, a famosa sopa de miso. Após o acidente nuclear de Chernobyl, o miso foi importado para a Rússia como forma de prevenção.

5 - Previne o aparecimento de arterosclerose e outras doenças cardiovasculares: o miso é rico em esteróis vegetais, que competem nível orgânico com o colesterol,  o qual não será absorvido e será eliminado.

6 - Limpa os pulmões.

7 - Acrescenta energia yang ao organismo: calor, concentração e actividade.

8 - Excelente efeito sobre feridas, cortes e picadas de insectos e queimaduras.

9 - Rico em isoflovanos: suprem a função dos estrogénios durante a menopausa e ajudam a prevenir a osteoporose.

10 - Previne o aparecimento de cancro: várias investigações revelam menor incidência de alguns tipos de tumores em populações que consomem frequentemente miso.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Dietas das Zonas Azuis, o segredo da longevidade ♡



Durante oito anos, Dan Buettner e um grupo de investigadores da National Geographic Society, estudaram cinco regiões do planeta cuja população se destaca pela sua longevidade.

Nestas cinco zonas do mundo existe uma esperança de vida superior à que se verifica em outros países. Muitos dos seus habitantes atingem idades centenárias e mais importante do que isso vivem repletos de alegria, com imensa energia e com uma enorme qualidade de vida.


Este estudo antropológico e demográfico revelou dados surpreendentes sobre o estilo de vida e os hábitos alimentares das populações locais e que, juntamente com características genéticas e ambientais específicas, contribuem para a sua longevidade.

No seu livro "The Blue Zones: Lessons for Living Longer From the People Who've lived the Longest", Dan Buettner descreve nove lições simples mas poderosas para uma vida longa e feliz.



1 - Mantenha-se em movimento
Encontre formas de se movimentar naturalmente, em pequenas tarefas do dia a dia, como caminhar ou cuidar do jardim ou da horta.

2 - Encontre o seu propósito
E persiga-o com paixão.

3 - Vá devagar
Trabalhe menos, decanse e tire férias.

4 - Pare de comer
Quando estiver 80% satisfeito.

5 - Consuma mais vegetais
E ingira menos carne e produtos processados.

6 - Beba vinho tinto
Frequentemente mas moderadamente.

7 - Crie laços afetivos
Fomente relações sociais saudáveis.

8 - Alimente a sua alma
Desenvolva actividades espirituais.

9 - Ame a sua tribo
Torne a sua família uma grande prioridade.


São cinco as zonas onde se concentra um maior número de pessoas centenárias:



1 - A Ilha de Ikaria, Grécia

Photo: Gianluca Colla

No passado, esta ilha mediterrânica foi alvo de vários ataques persas, romanos e turcos, provocando a movimentação da população da costa para o interior. Tal facto criou uma cultura isolada rica em tradições, valores familiares, saúde e longevidade. 

Os habitantes de Ikaria conhecem os seus vizinhos e investem grande parte do seu tempo a socializar. 

Bebem leite de cabra, que é hipoalergénico e rico em cálcio, potássio e triptofano, que ajuda a diminuir os níveis de stress. A dieta mediterrânica que seguem é rica em vegetais, frutas, leguminosas, batatas e azeite. 

Bebem chás de ervas, fonte importante de antioxidantes, em família e com os amigos. Fazem a sesta, que diminuiu o stress e a incidência de doença cardíaca. O calendário cristão ortodoxo pelo qual se regem convida a ocasionalmente jejuar, o que retarda os efeitos do envelhecimento. 

Um ambiente puro, um clima ameno e um terreno agreste, mantêm os residentes saudáveis e activos.



2 - Loma Linda, Califórnia

Photo: David McLain


Esta cidade solarenga do Sul da Califórnia possui uma grande comunidade de Adventistas. Esta igreja incentiva a prática de exercício físico. O seus seguidores mantêm baixos níveis de colesterol, doença cardíaca e pressão arterial. 

Os seus membros bebem água ao invés de bebidas gaseificadas e petiscam frutos secos em vez de batatas fritas. Não bebem nem fumam e todas as semanas praticam o Sabbath, durante o qual se focam na família, na comunidade, em Deus e na natureza.

Os Adventistas praticam voluntariado, procurando desta forma um sentido para  a vida. 

Muitos são vegetarianos, ingerindo em pequenas refeições diárias maioritariamente legumes, frutas e cereais integrais.


3 - Okinawa, Japão

Photo: David McLain

A ilha do Pacífico,  conhecida como a ilha dos imortais,  sofreu inúmeras invasões chinesas e nipónicas e mesmo assim mantém uma das maiores percentagens de centenários do globo e uma baixa incidência de cancro,  doença cardíaca e degenerativa. 

A dieta é maioritariamente vegetariana, baseada em vegetais, algas, batata doce e tofu, ricos em nutrientes e baixos em calorias. Os derivados da soja, como o tofu e a sopa de miso, ricos em flavonóides, protegem o coração e reduzem o risco de desenvolvimento de cancro mamário. Os produtos de soja fermentados contribuem para uma saudável ecologia intestinal.

Os centenários de Okinawa dedicam-se à jardinagem, actividade que reduz o stress e proporciona um exercício físico ligeiro diário. Plantam ervas medicinais que os protegem das doenças. Têm por hábito organizar um moai, o que providência fortes laços sociais e segurança emocional e financeira. 

Apreciam o sol, são activos e vivem de forma simples. Relaxam e partilham as refeições sentados no chão sobre tatamis, o que lhes permite desenvolver um corpo forte e ágil. Procuram rodear-se de pessoas jovens enquanto apreciam a vida serenamente.

O grande segredo para a longevidade dos habitantes de Okinawa está na dedicação à família e aos amigos e à importância que fornecem ao sentido da vida.



4 - Sardenha, Itália

Photo: Mauro Bottaro/Anzenberger/Redux


Os sardenhos possuem o marcador M26, associado a uma longevidade excepcional, muito superior à de outras populações. Devido ao isolamento geográfico da população, estes genes mantiveram-se praticamente inalterados.

Os habitantes desta ilha italiana também vivem socialmente isolados, o que permitiu a manutenção de um estilo de vida vincadamente tradicional. Ao longo das suas vidas, mantêm estreitas relações com a família e os amigos, dedicando grande parte do seu tempo à partilha de momentos de alegria e convívio, sempre acompanhados de um bom vinho tinto. 

A dieta clássica da sardenha consiste em pão integral, leguminosas, vegetais e fruta e em algumas zona da ilha, azeite de mastic. Consomem também queijo pecorino, produzido a partir de leite de ovelha, rico em ácidos gordos omega 3. A carne apenas é consumida aos fins de semanas e em ocasiões especiais. 

Os sardenhos possuem fortes valores familiares, o que proporciona baixos índices de depressão,  suicídio e stress.

Ingerem leite de cabra que contém compostos que protegem contra doenças cardíacas e o Alzheimer. 

Valorizam os idosos. Os avós providenciam amor, afecto e motivação para perpetuar as tradições e incentivar as crianças a atingirem o sucesso nas suas vidas e a crescerem saudáveis. 

Caminham imenso, o que proporciona benefícios cardiovasculares incalculáveis, bem como no metabolismo músculo-esquelético. 

Consomem vinho moderadamente.  O vinho Connonau possui duas a três vezes mais flavonóides que os outros vinhos. O consumo moderado explica os baixos níveis de stress entre os homens. 

Os homens são conhecidos pelo seu sentido de humor sardenho. O riso reduz o stress e este consequentemente reduz o risco de doenças cardiovasculares.



5 - Nicoya, Costa Rica

Photo: Gianluca Colla
O pequeno país das Caraíbas possui um excelente sistema de saúde e segurança social o que proporciona óptimas condições para a longa longevidade dos seus habitantes.

Na península de Nicoya, próxima da fronteira com a Nicarágua, as populações locais possuem uma longevidade superior ao restante território. Tal facto deve-se à alimentação baseada em frutas tropicais, ricas em antioxidantes e à qualidade da água ingerida, rica em cálcio e magnésio, que previne doenças cardíacas e proporciona ossos fortes.

Ingerem refeições ligeiras à noite e sempre cedo. Sabem ouvir, rir e apreciar a vida.

A família, a comunidade e a fé apresentam um lugar privilegiado nos centenários e o plan de vida, isto é, o sentido da vida, ajuda os idosos de Nicoya a manterem-se activos e a desenvolverem uma atitude positiva perante a mesma.

Descendentes dos indígenas Chorotega, praticam uma dieta rica em leguminosas e milho e que poderá ser a melhor combinação nutricional que existe para a aumentar a longevidade.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

From Madeira Island, with love [3]


A Ilha da Madeira é conhecida indiscutivelmente pelas suas levadas e percursos pedestres. Percorrer alguns deles foi sem dúvida alguma um dos grandes propósitos desta viagem. Caminhar imersos na imensidão de uma floresta verdejante e distante da mão aniquiladora humana torna-se indispensável na nossa relação a dois, proporcionando um complemento de cariz saudável e apaziguador fundamental. A natureza belíssima acalma a nossa alma irreverente e nos proporciona momentos únicos de amor e serenidade. 

Seguimos destino girando em emaranhados de curvas e contracurvas, por entre escarpas trajadas de esmeraldas, faustosas e resplandecentes. A vegetação, densa e salpicada de gotículas delicadas de chuva, tapiza as altas montanhas do centro da ilha. As povoações isoladas, criam tufos de vida laboriosa e solitária. As gentes fazem-se simples e humildes, por estes lugares ermos. Não existem ruídos de uma sociedade escrava da tecnologia, de lixo processado que se ingere desmedidamente, de produtos borrifados de tóxicos que se cravam insaciados às nossas células e que nos sugam a essência límpida.  Aqui respira-se, vive-se, sem expectativas, sem desejos ou ilusões, sobrevive-se quando se anseia por civilização, quando as necessidades mais básicas e primitivas falham e o temor da ignorância e da monotonia fatigam o corpo exausto. Os rostos carregam a amargura de quem não conhece outro mundo. Por momentos invejei esta vida quase perfeita de mata e orvalho. Mas diante da imperfeição do isolamento que encarcera estas almas na rudeza da subsistência primária, cinjo-me à observação e à admiração de forasteira.

O percurso até ao fabuloso miradouro dos Balcões inicia-se no Ribeiro frio. Atravessámos sem pressa as ruelas galgadas por pequenas habitações campestres. À nossa passagem, galinhas atrevidas exibiam-se enquanto as gentes da terra se refugiavam na calidez do lar. Fazia frio e a chuva caía intermitente. A vereda é curta mas belíssima. Caminhámos admirando a flora indígena e exótica que se distribuía pitoresca pelas margens do trilho. As espécies viçosas características da floresta laurissilva cobriam-se de suaves fluidos resultantes do nevoeiro que nos envolvia.


O tempo escuro não nos demoveu de percorrer e vislumbrar esta tela impressionista, de cores vibrantes, esbatidas pela condensação atmosférica. A levada afunda-se sobre uma tela de gradações de verde, elegantemente tingida de orvalho luzente. Dele se avistam, em dias solarengos, os picos mais altos da ilha, o Pico Ruivo e o Pico Areeiro. Eu imaginei-os ao longe.
Sente-se o mar e o rio ao fundo do precipício, serpenteando a paisagem natural. Algumas aves fazem-nos companhias. Estamos apenas nós e eles. Longe de tudo e todos. A Madeira selvagem, silenciosa e amorosa.

O miradouro é uma balcão que coroa o paraíso.




segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

From Madeira Island, with love [2]




A minha mente vibrante esboçara durante longos dias uma atmosfera exótica e delicada, cujo perfume floral pincelava majestosamente as escarpas da costa. Sinapses cerebrais irrequietas esquissavam gotículas cintilantes de orvalho, a levitar solenemente sobre as brumas florestais.

Na verdade, fazia frio e vento e as nuvens, teimosas, pairavam volumosas sobre as nossas cabeças. Estávamos em Fevereiro, Em Portugal Continental arrepiavam-se as pontas dos dedos gretadas, fragilizadas pelo longo inverno. Na ilha das levadas, a maresia cálida africana amenizava a aragem fresca das serras.

Uma rápida passagem pelo Caniçal e seguimos em direcção ao que seria o primeiro encanto: a ponta de São Lourenço. Este local de encontro dos mares do sul e do norte, de beleza ímpar, caracteriza-se pela sua textura árida e pela dicotomia de águas agressivas e serenas que neste lugar remoto se mesclam maravilhosamente. Aqui, o mar sopra solitário, por entre formações de origem vulcânicas e brotes de vida raros e peculiares, endémicos da península. Esta região difere da restante ilha na flora e na fauna, tornando-se uma reserva natural de valor incalculável. Previmos uma caminhada calma pela ponta leste da ilha, para apreciar a beleza da zona, no entanto, o vento forte e o atraso do voo fizeram com que não nos demorássemos como previsto. Um olhar entusiasmado a norte sobre a "ilha dourada" e a sul sobre as Desertas e seguimos viagem.

A chegada à Santana faz-se por túneis horrendos que rasgam grosseiramente a paisagem imponente. Esta pequena vila é conhecida pelas suas casinhas típicas e graciosas. Surgem belas nos postais e nos sites de viagem e uma desilusão amarga no seu habitat anti-natura. Réplicas desconexas, desenquadradas, símbolos de um kitsch turístico massificado. Compreende-se a busca exímia de perpetuar uma importante herança tradicional da ilha, mas a localização urbana e desprovida de ruralidades, torna o espaço monótono e desinteressante.

Em Santana, a maior expectativa prendia-se com o arrebatador teleférico da Rocha do Navio. Tinha visto imagens inacreditáveis quando fizera pesquisas sobre lugares imperdíveis na ilha. Trata-se de um teleférico que desce abrupta e vertiginosamente sobre o mar, como se este nos engolisse a pouco e pouco enquanto nos deliciamos com a vista assombrosa. O acesso faz-se por estradas estreitas que atravessam zonas campestres e que, inesperadamente me surpreenderam com o vislumbre de uma e outra casinha genuína de Santana, semeadas pelos campos despidos. Possuem cores esbatidas e desgastadas pelo tempo, ao contrário das casas do centro, coloridas e paparicadas, mas, na minha opinião, o esforço para a sua preservação é imensurável. 

A vista sobre a fajã, do cimo da falésia, antes de nos debruçar-mos sobre o mar, é deslumbrante. O meu coração não consegue descrever tão puro e tão profundo sentimento. A essência da mãe natureza, pura e selvagem, jorrava longos fios alvos e estrondosos pelas montanhas, com toda a sua força e imponência. Por instantes deixei de respirar para apenas sentir, para me afundar nesta grandiosidade majestosa e soberana, como humilde serva da deusa Terra. Se cerrasse os olhos, sorria para ela e para ti, meu amor, por te ter a meu lado perante tamanha beleza.

Descemos entusiasmados até aos bananais e vinhedos que as ondas beijavam enfurecidas. Inesperadamente avistamos o que nos pareceu ser um cachalote. O mosaico de cultivo aproximava-se sob os nossos olhares pasmados. Na pequena baía, perdi-me. Perdi-me a contemplar o mar revolto, perdi-me a sentir a falésia de cascatas estrondosas que invadiam ao oceano sedento, perdi-me na imensidão de rochas negras que silenciavam a fúria das águas.

Hoje, fico por aqui. Perdida.


domingo, 15 de fevereiro de 2015

From Madeira Island, with love [1]



De todas as vezes que viajo, dias antes de partir surge em mim uma ténue palpitação no coração. É uma ânsia enorme de ver o mundo, uma angústia demasiado curiosa que por vezes me incomoda, que me consome intensamente na vontade imensa de descobrir um destino desconhecido. Este novo sentimento incomoda não por doer, não de todo. Incomoda por ainda me encontrar aqui, agitada pela desconexão diária, embebida no frenesim monótono de trabalho e de responsabilidades, alienada na incompreensão da mente humana desgastada pela sociedade e pelas aparências, revolta e desprendida de materialismos que magoam almas desgastadas pela massificação que lhes espalma a testa contra paredes esculpidas de ignorância e infâmia. 

Às vezes sinto que quase cedo a este turbilhão que me enjoa. Mas cedo prontamente, porque o mundo pelo qual anseio é mais bonito. Ele está algures onde encontre paz, serenamente contemplando a simplicidade que ecoa da voz do silêncio e da natureza. Ou então, esse lugar encontra-se perdido num outro belo frenesim citadino, nessa dualidade de calamidade humana e arte extraordinária, onde a natureza se enreda magicamente.

Relembro esse dia de partida, gélido e inquietante. O sol permanecia adormecido, a cidade deambulava calma e prateada, o taxista rapidamente nos conduziu ao aeroporto pois àquela hora o trânsito era quase inexistente. Apenas alguns faróis abrilhantavam o asfalto que rolava sob os nossos corpos agitados. O coração esse, palpitava loucamente.

A espera no aeroporto não foi longa, calmamente despertei ao sabor de um café amargo, entre olhares sonolentos e o doce sorriso da empregada da limpeza que àquela hora tão matinal já bailava abrilhantando o chão sujo por passos apressados.

Descolámos ao som de turbinas ensurdecedoras que um nascer do sol arrebatador sobre Lisboa simplesmente silenciou. O céu brilhou e a minha alma também. Ainda hoje o sinto, repleto de luz e magia, como se a menina e moça me dissesse adeus, até já, confidente e delicada.

A viagem fez-se inicialmente tranquila e com boa disposição, entre beijos e mimos cúmplices, neste primeiro voo a dois, encantados e empolgados. O mar era o nosso único guia pois o nevoeiro nos acompanhava teimoso. Não tardámos, no entanto, a compreender que o voo estava a tornar-se demasiado longo, as horas passavam e a ilha da Madeira não era avistada, parecíamos viajar em círculos e no ar pairava alguma inquietação. O piloto fez duas tentativas de aterragem infrutíferas, a visibilidade era péssima e foi nessa altura que a tripulação nos informou que iríamos aterrar em Porto Santo. 

De início, fiquei deliciada com a notícia, conhecer a ilha dourada não estava nos nossos planos, uma vez que apenas dispunhámos de três dias. Pensei que a passagem pelo pequeno paraíso seria mais demorada devido ao mau tempo, falava-se em irmos de barco até à ilha da Madeira se este não melhorasse. Infelizmente, a estadia fez-se breve e em cerca de trinta minutos aterrámos no aeroporto do Funchal.

A vista durante a aterragem é maravilhosa. O céu despiu-se de nuvens e pude assim contemplar cada recanto recortado e abrupto da ponta árida de São Lourenço. As ondas gemiam ao enbater nas rochas, mesmo que o barulho do avião me privasse dessa melodia, podia ouvi-la. O Funchal surge imponente enquanto deslizamos pela costa. As casas sobrepõem-se albas e delicadas, pelas colinas, como num presépio primaveril. Sinto ainda no avião o calor da ilha de carisma tropical. Não as vejo ainda mas saboreio já as doces e pequenas bananas e outros frutos exóticos suculentos. Saboreio o peixe fresco aromatizado com sabor a sal de mar. Absorvo a essência húmida e perco-me pela floresta laurissilva esverdeada, pomposa e revitalizante.

O atraso durante o voo não altera os nossos planos. Alguma demora no aluguer da viatura e pouco depois, finalmente, partimos à descoberta.






quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ashtanga Vinyasa é amor.



   Amor à primeira prática. Como um grande amor, que entra nas nossas vidas inesperadamente, que a nossa alma inspira demoradamente, cuja essência flui calorosamente entre asanas e respirações, o corpo esboçando movimentos vigorosos, por entre filamentos cristalinos de luz matinal, que timidamente flutuam pela shala, frescos e revitalizantes. As sombras de corpos dançantes pincelam as paredes claras, ouve-se o silêncio e entre silêncios ouvem-se os sopros do ser, ouve-se a mente purificada, ouve-se amor.

      O dia nasce sem pressas no alto da cidade, embelezado pelo verde do parque e pela ténue agitação das ruas quase despidas. Enquanto uns praticam dedicados, outros vêm as suas posturas elegantemente corrigidas pelas mãos ágeis e sábias da querida professora, em gestos cuidados e sempre com um sorriso terno e afável desenhado nos lábios. Outros ainda, relaxam serenamente em savasana. terminando desta forma profunda um despertar de gratidão e amor.

     A prática harmoniosa é amor, o espaço amplo, límpido e acolhedor é amor, os alunos devotos são amor, a professora atenta e gentil é amor. Sri Patthabi Jois é amor. Ashtanga Vinyasa é amor.

     
     Um amor inesperado e tão bom.

     

     [Um sorriso aos (quase) trinta ] 

     
     ... continua ...