terça-feira, 9 de junho de 2015

Noodles de arroz com acelgas e tofu

INGREDIENTES

100 gramas de noodles de arroz
2 cenouras pequenas
150 gramas de tofu
sementes de sésamo
um punhado de amendoins torrados
5-6 folhas grandes de acelgas
1/2 cebola
2 colheres de sobremesa de óleo de coco
soyu a gosto



PREPARAÇÃO



- Numa frigideira, adicionar duas colheres de óleo de coco. Cortar a cebola em juliana, adicionar ao óleo e deixar alourar.

- Ralar as cenouras e adicionar à cebola, quando esta estiver translúcida. Deixar cozinhar 5 minutos. 

- Cortar o tofu em cubos. Adicionar à frigideira. Juntar o soyu. Cozinhar mais 5 minutos.

- Cortar as acelgas em tirar e adicionar ao tofu. Cozinhar 10 minutos em lume brando.

- Cozer em água os noodles durante 5 minutos. Escorrer a água e adicionar à frigideira e misturar todos os ingredientes para encorparem o sabor do soyu.

-  À parte, torrar as sementes de sésamo. 

- Numa taça, adicionar os noodles com os legumes e o tofu, juntar os amendoins e as sementes de sésamo.



sábado, 23 de maio de 2015

ILHA TERCEIRA, AÇORES: 10 lugares incríveis para visitar


     



         Já imaginou, numa imensidão de azul do Oceano Atlântico, nove pequenos mundos de pura Natureza? Um presente de origem vulcânica da Mãe Terra, de gentes simples e afáveis,  e de tradições únicas e peculiares? Respire serenamente, feche os olhos e venha comigo perder-se nesta viagem mágica pelo verde imenso do Arquipélago dos Açores.

        Os Açores localizam-se no Atlântico Nordeste e são uma Região Autónoma da República Portuguesa. No plano lendário, associam-se à mítica e extinta Atlântida, citada por Platão. Historicamente, constituíram uma escala importante para as expedições dos Descobrimentos, quer para a Índia quer para o Brasil, bem como para o Norte de África. Foi também um local estratégico de apoio às Forças Aliadas durante as duas grandes Guerras Mundiais. O descobrimento do Arquipélago permanece algo controverso, no entanto, sabe-se que se iniciou o seu povoamento em 1432 com portugueses vindos do continente e posteriormente por outros europeus e norte-africanos. 

Integra a região biogeográfica da Macaronésia e as suas ilhas distribuem-se por três grupos distintos:




Grupo Ocidental
Corvo
Flores

Grupo Central
Faial
Graciosa
Pico
São Jorge
Terceira


Grupo Oriental
Santa Maria
São Miguel


                 Os Açores encontram-se situados na zona de interacção das placas tectónicas euro-asiática, norte-americana e africana. Ao longo de milhares de anos, as atividades sísmica e vulcânica delinearam um território peculiar e sublime, sendo cada ilha ímpar e singular, cuja identidade, de traços tão distintos, as torna inconfundíveis... e inesquecíveis: os fósseis de Santa Maria; as lagoas de São Miguel; as grutas da Terceira; os cones da Graciosa; as fajãs de São Jorge; a Montanha do Pico; o vulcão dos Capelinhos no Faial, as cascatas das Flores e o Caldeirão do Corvo.

           A atividade vulcânica dos Açores teve a sua última erupção terrestre no Vulcão dos Capelinhos, na Ilha do Faial, em 1957-1958 e no mar, ao largo da Serreta, na Ilha Terceira, em 1998-2000.

          Os Açores apresentam uma riqueza natural inestimável, um verdadeiro santuário de biodiversidade e geodiversidade, um lugar de eleição para os amantes de Turismo de Natureza e Sustentabilidade. Possuem uma extensa lista de parques e reservas naturais, áreas e espécies protegidas, muitas delas endémicas. Várias espécies de aves marinhas migratórias repousam das longas viagens intercontinentais nos solos açorianos. No Oceano, diversas espécies de cetáceos e peixes cruzam os seus mares e inúmeras colónias de moluscos e crustáceos vivem nas zonas costeiras. 

                 Agucei a sua curiosidade? Os Açores são tão fascinantes que a lista de coisas incríveis para fazer é infinita. Aventure-se e apaixone-se por estes pequenos paraísos do Atlântico profundo.

                 
                 Visitei há uns tempos a Ilha Terceira e é sobre ela que vou escrever. Mas, é claro, a beleza distribui-se por todas as ilhas e vale uma visita relaxada a cada uma delas. Demore-se o tempo que quiser, a apreciar o que de mais abençoado existe no planeta.
Segue uma lista das dez coisas mais incríveis para fazer nesta ilha, onde a natureza convive em perfeita harmonia com o Homem e o Mar. 


1. Visite o Algar do Carvão e a Gruta do Natal





            
Já se imaginou dentro de um vulcão extinto? Isso é possível ao visitar o Algar do Carvão. Consiste numa notável chaminé vulcânica, que ao contrário do que geralmente se verifica, não se encontra totalmente obstruída. Possui uma enorme cratera que termina numa lagoa de águas límpidas, alimentada por infiltrações pluviais. As paredes interiores das duas abóbadas apresentam estalactites e estalagmites de sílica, de cor branca, sobre a lagoa e avermelhadas, ricas em minerais férricos, sobre o "palco". O cone, por onde entra a única luz natural, é recoberto por uma exuberante vegetação verdejante. A importância geológica desta cavidade vulcânica tem sido assinalada por diversos especialistas nacionais e internacionais. É o único vulcão extinto visitável em toda a Europa.

           A Gruta do Natal, um tubo de lava de 700 metros, encontra-se situada em frente à bonita Lagoa do Negro, local sereno e apaziguador, que também merece uma visita.


2. Trilhe a Serra de Santa Bárbara e os Mistérios Negros







            O Trilho dos Mistérios Negros inicia-se junto à Lagoa do Negro e às Grutas de Natal e é encantador. Através do seu trajecto é possível contemplar diferentes tipos de vegetação. O percurso inicia-se numa zona de verdes prados e os metros seguintes percorrem-se entre pinhais e lagoas. Segue-se uma floresta encantada de troncos entrelaçados, flora endémica luxuriosa, fetos verdejantes e musgos humedecidos pela chuva.  Um percurso mais sinuoso entre formações rochosas de lava recente, escura, despidas de vegetação e que dão o nome ao trilho, leva-nos a contemplar, do alto, a paisagem circundante. O trilho não é fácil mas vale todo o esforço despendido.

            Do Alto da Serra de Santa Bárbara, a mais de mil metros de altitude, é possível apreciar a vista maravilhosa, sobre a ilha e sobre o mar.


3. Mergulhe nas piscinas Naturais dos Biscoitos





              Nos Biscoitos, o mar originou piscinas naturais, de cor negra intensa, e de origem vulcânica.  O basalto da paisagem costeira, derivado da lava seca, é apelidado pelos terceirenses de "biscoito" e é uma analogia a pão que era transportado pelos marinheiros e que para aguentar as longas viagens, era cozido duas vezes. 


4. Aprecie a vista desde o Miradouro das Veredas





          O Miradouro das Veredas localiza-se na freguesia de Terra Chã e permite apreciar a vista maravilhosa sobre o Monte Brasil, o mar e o Vulcão da Serra de Santa Bárbara. 


5. Deslumbre-se com a vista desde o Miradouro da Serra do Cume





          Os Miradouros da Serra do Cume localizam-se no topo da Serra do Cume, no concelho da Praia da Vitória. Oferecem das mais belas paisagens da ilha: de um lado, a baía da Praia da Vitória e a Base Aérea das Lajes e do outro, a grande planície do interior da ilha, conhecida por "manta de retalhos", com o seus típicos "cerrados" de pastagem, divididos por muros de pedra vulcânica e por bucólicas hortênsias. Esta planície estende-se por 15 km e representa a caldeira de um vulcão primitivo.


6. Encante-se com o centro histórico da cidade de Angra do Heroísmo, Património da Humanidade e a vista desde o Monte Brasil 



            Angra do Heroísmo foi classificada Património da Humanidade pela UNESCO devido à sua riqueza histórica, cultural e patrimonial. Perca-se pelas suas belas ruas e aprecie a arquitectura imponente e colorida das suas casas e igrejas. 
            A península do Monte Brasil é um antigo vulcão extinto, que teve origem no mar e se juntou à cidade de Angra do Heroísmo. É composto por uma caldeira rodeada por quatro picos. Atualmente é uma Reserva Florestal pois mantém parte da flora original. Do seu alto vislumbra-se a cidade, os Ilhéus das Cabras, parte da zona costeira sul e em dias de céu limpo, a Ilha de São Jorge e a Ilha do Pico. A Fortaleza de São João Baptista, fortificada sobre o Monte, defendeu em tempos a cidade dos ataques de piratas. 

7.        Maravilhe-se com a beleza natural e selvagem das Lagoas da ilha





           As lagoas da Terceira são pequenas mas encantadoras. Algumas delas, apenas são acessíveis através de longos e íngremes trilhos através da mata nativa. Sente-se o cheiro a terra humedecida pelas frequentes chuvas sazonais, respira-se a neblina matinal que paira sobre os musgos que tapiçam as encostas. Pelos troncos avermelhados de árvores imponentes, discorrem pequenas gotículas de vida cristalina. A lama absorve as pegadas, as aves agitam-se e a vegetação densa baila à procura da fugaz luz do sol. O silêncio despe a alma de toda a nossa humanidade, as águas serenas reconfortam e iluminam o nosso coração com gratidão

8.        Encante-se com a Caldeira Guilherme Moniz







            A Caldeira Guilherme, com 15 km de perímetro, é um antigo vulcão extinto e possui a maior cratera existente no arquipélago dos Açores. Esta caldeira alberga o maior reservatório de água da ilha. No passado, encontrava-se neste local uma lagoa cujas águas foram cobertas pela erupção do Algar do Carvão. O seu interior é hoje um enorme prado verde, recoberto por extensas áreas de vegetação e de pastagens de gado. Pela sua riqueza natural, a flora endémica da região encontra-se protegida por lei.
                  Visite também as Furnas de Enxofre, através do trilho existente. O cheiro intenso e os fumos que se soltam criam uma bruma mítica e misteriosa, onde o verde torrado da vegetação se mesla com a cor vermelha da terra.


9.          Relaxe numa casa tradicional e delicie-se com um picnic nos prados verdes e pitorescos da lha







               Existem inúmeras alternativas apaziguantes e relaxantes para apreciar o leve fluir dos dias na Ilha Lilás, assim designada pela quantidade de hortênsias que nela florescem no verão. São pequenas casas rurais, com paredes de basalto negro e janelas e portas pintadas de branco ou com cores vibrantes. Permita-se descansar ao som da natureza verdejante que se deixa acariciar pela brisa marítima, pelo mujir irreverente de bovinos pachorrentos deliciados na imensidão dos prados, pelo cacarejar de galos e galinhas que alegremente se exibem perante o sol majestoso que renasce. Deixe-se encantar pela simplicidade das suas gentes afáveis e por uns dias, sinta o paraíso a entrar em si.


10.        Observe os cachalotes e as baleias e mergulhe com golfinhos


             Decorreram mais de 30 desde a proibição da caça da baleia, e ainda bem. Hoje, observam-se, contemplam-se, respeitam-se. São 27 espécies de cetáceos, residentes ou migratórias, que podem ser avistadas nos Açores, o que corresponde a cerca de um terço do total das existentes no mundo. São cachalotes, baleias de barba e golfinhos, entre outros. O avistamento de um destes seres é um momento mágico, indescritível e que fica na memória de quem o vive. Os Açores são um ecossistema único e um dos maiores santuários de baleias do mundo. Preservação é hoje o novo significado dado ao antigo grito dos baleeiros: "Baleia à vista!".





quinta-feira, 21 de maio de 2015

Estufado de lentilhas e batata doce

INGREDIENTES (serve 4 pessoas)




3 batatas doces pequenas

250 gramas de lentilhas laranjas

meio limão

2 dentes de alho

100 gramas de feijão verde

2 tomates maduros

2 cenouras

coentros frescos

gengibre em pó

curcuma em pó

grão de coentros moídos

pimenta preta moída

pimenta da Jamaica moída

noz moscada em pó

cravinho em pó

cominhos em pó

grãos de mostarda moídos

azeite

uma cebola

1 malagueta

sal a gosto





PREPARAÇÃO

Corte a cebola em rodelas. 
Corte também os legumes, as cenouras em rodelas (se forem biológicas não necessita de retirar a casaca,), as batatas doces descascadas e em cubos, e os tomates maduros em rodelas. Corte o feijão verde em tiras grossas.

Refogue a cebola num fio de azeite, até ficar transparente. Adicione os dentes de alho laminados. Junte os cubos de batata doce e as cenouras. Deixe apurar um ou dois minutos, adicione uma caneca de água (aproximadamente 250 ml) e sal a gosto.

Tempere com as especiarias, consoante desejar um sabor indiano mais ou menos intenso (coloquei mais curcuma e gengibre) e a malagueta cortada em tiras. Adicione o sumo de meio limão. Deixe cozinhar, em lume brando, uns 15 minutos. 

Acrescente o feijão verde. Se necessário, adicione um pouco mais de água. Deixe cozinhar uns  minutos.

Junte as lentilhas laranjas, cozinhe por mais 10 minutos.

Sirva decorado com com coentros picados.



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Arroz pilaf exótico

          O arroz pilaz é um arroz de especiarias, de aroma intenso e de sabor adocicado, muito popular no Médio Oriente, Ásia Central e do Sul, regiões dos Balcãs e do Cáucaso, África Oriental,  América Latina, Caribe e Índia. 

Tradicionalmente, a sua origem é atribuída aos turcos e aos persas. Uma das primeiras referências literárias ao arroz pilaf surge descrita nas histórias de Alexandre Magno. O prato tornou-se posteriormente conhecido na Macedónia e na Grécia. Os árabes, mais tarde, desenvolveram também a sua confecção, bem como os judeus e mais recentemente, os países da Ex União Soviética. Na cozinha hindú é um prato muito apreciado em ocasiões especiais, por ser de mais requintado e aromático.

Hoje em dia, um pouco por todo o mundo, a sua confecção é bastante conhecida e divulgada. É uma receita deliciosa para acompanhar legumes, que, a cada garfada nos leva a viajar até culturas exuberantes e coloridas, repletas de tradições milenares, de sensações vibrantes e inesquecíveis. 

Os grãos de arroz são levemente salteados em azeite ou manteiga clarificada - ghee, com cebola, até ficarem translúcidos. As especiárias são adicionadas para enriquecer este prato tão simples e maravilhoso. Após a cozedura em água, os grãos ficam soltos e os nossos sentidos despertam serenamente do outro lado do mundo. 


ARROZ PILAF EXÓTICO


INGREDIENTES



- 2 colheres de azeite
- 1 cebola picada
- 250 gramas de arroz basmati
- 1 pau de canela
- 3 sementes de anis-estrelado
- 3 frutos de cardomomo verde (esmagar e utilizar apenas as sementes)
- casca de 1 limão
- casca de 1 laranja
- 50 gramas de amêndoa laminada
- 50 gramas de pistachos picados e inteiros
- folhas de salsa
- folhas de coentros



PREPARAÇÃO


- Pré-aqueça o forno a 190 ºC

- Leve ao lume uma caçarola (tem de ser de material resistente ao forno) com o azeite e a cebola picada finamente. Deixe alourar.

- Adicione as especiarias, as cascas do limão e da laranja, um pouco de sal se desejar. Toste o arroz durante um ou dois minutos

- Adicione 500 ml de água quente e deixe ferver

- Retire a caçarola do lume, tape com o papel vegetal (faça um furo no meio, para deixar sair o vapor)

- Asse durante uns vinte minutos. Retire a caçarola do forno, deixe repousar uns minutos

- Toste as amêndoas. Retire o papel vegetal, adicione os frutos secos e por fim as ervas frescas picadas

- Acompanhe com legumes salteados ou caril de lentilhas, inspire-se!



domingo, 26 de abril de 2015

Tostinhas de Domingo

          O Domingo é aquele dia que flui leve, levemente. É um dia para me sentir, para o sentir a ele e para sentir o mundo. Respira-se gratidão, serenidade e o coração é aliviado de todas as inquietações semanais. Palpita-se amor, os momentos tecem-se docemente e o tempo parece esboçar o Ser, como forma de o purificar e revitalizar. 

       Hoje especialmente, de sentidos aguçados e sem grande vontade para me perder em receitas demasiados elaboradas e demoradas, decidi-me por um lanche, leve, como o meu domingo. O resultado, simples e fresco, a lembrar o verão, que teima em não chegar.



INGREDIENTES

2 tostas de cereais (escolhi umas com arroz, milho, quinoa e millet)
1 laranja
1 mão cheia de folhas de rúcula

Manteiga de amendoim:

1 taça de amendoins torrados
2 colheres de leite vegetal (aveia, soja biológica, amêndoa ou outro) 
uma pitada de sal (opcional)
açúcar ou mel (opcional)



PREPARAÇÃO

Triturar os amendoins, numa centrifugadora, inicialmente com a tecla pulse e depois uns minutos até criar uma pasta (deixar de parte alguns amendoins inteiros para decorar e criar texturas diferentes). 

Adicionar à pasta de amendoim o leite vegetal e se desejar, açúcar e um pouco de sal.

 Misturar tudo com uma colher e voltar a centrifugar até atingir a consistência desejada.

Barrar sobre as tostas a manteiga de amendoim. Cortar a laranja em tiras. Retirar a pele. Dispor as tiras de laranja sobre a manteiga de amendoim, Adicionar folhas de rúcula a gosto e alguns amendoins inteiros. 






quinta-feira, 23 de abril de 2015

Salada de Trigo Sarraceno, Agrião e Molho de Abacate, Laranja e Amendoins

INGREDIENTES

100 gramas de trigo sarraceno
1 laranja
1 pêra de abacate
Amendoins torrados
Folhas de agrião
Uma papaia
Uma beterraba
Um quarto de cebola roxa
Uma mão de frutos secos ou sementes (usei amêndoas e avelãs)




PREPARAÇÃO

Tostar ligeiramente o trigo sarraceno numa frigideira. Cozê-lo durante 15 minutos em 2 porções de água para uma de trigo.

Lavar muito bem os agriões e soltar em folhas

Retirar a polpa da pêra de abacate, triturar delicadamente com um garfo, regar com o sumo de meia laranja e adicionar os amendoins, alguns levemente partidos, outros inteiros.




Ralar a beterraba e reservar

Numa taça, adicionar o trigo sarraceno frio, colocar as folhas de agrião, pedaços de meia laranja e de papaia, a beterraba ralada, a cebola em tiras finas e por cima juntar o molho de abacate, laranja e amendoins torrados.

Se desejar, decore com frutos secos ou sementes.





domingo, 19 de abril de 2015

Yoga Ashtanga: tradição com a vivacidade refrescante de hoje




         O Yoga Ashtanga fascina pela sua elegância, vigor e tradição milenar. Fazer parte de uma prática tão antiga e tão maravilhosa é uma sensação mágica. Ainda hoje recordo com amor a primeira vez que senti, sob os pés despidos, o encanto de um shala de Yoga Ashtanga, quente e perfumado, enquanto o meu Ser levitava por entre melodias de ondas do mar, a deslizarem suavemente durante as respirações dos alunos. Ouvia o silêncio de ashtangis dedicados e compenetrados, o silêncio da luz de fim de tarde que embelezava os corpos humedecidos pelo rigor da prática, o silêncio apaziguador dos mantras entoados em unis-som no início e no final da aula. Ouvia, encantada, a transbordar gratidão, o universo a guiar-me até ao que seria o início de uma grande transformação interna. 
         
          Hoje sei que depois daquele dia, a minha alma se encontrou e iniciei um longo e desafiante percurso espiritual e físico. O Ashtanga requer uma disciplina e uma determinação profundas. Com o crescimento pessoal, a mente e o corpo são purificados e enriquecidos, somos protegidos da agressividade moderna, dos dias obscuros e confusos. O nosso estilo de vida e valores alteram-se, aprendemos a escutar a nossa voz interior, com quietude e serenidade. A bondade e compaixão instalam-se, procuramos discernir o que nos enaltece do que nos corrompe e destrói, nas relações pessoais, na alimentação, nos objectivos e nos sonhos. Aprendemos a aceitar-nos e a melhorar-nos. O corpo torna-se mais flexível e forte, é purificado e desintoxicado. O caminho é lento, por vezes tropeçamos, mas é tão belo e tão puro. 



          Quando, por algum motivo, deixamos de praticar ou a prática se torna inconstante, tal facto repercute-se nas nossas vivência e vicissitude. Por vezes a saudade magoa, outras vezes entristece-nos, e, rapidamente procura-mos reequilibrar o nosso organismo. A prática de Ashtanga deixa uma impressão dactilar no universo, uma pegada energética no ar, que nos conecta ao Ser e ao Mundo. E sem ele, o vazia instala-se. O Yoga Ashtanga é um tesouro valioso para a Humanidade.

      Sri Tirumalai Krishnamacharya  estudou o sistema de Yoga Ashtanga, com o mestre Ramamohan, baseando a sua aprendizagem no antigo manuscrito "Yoga Korunta" de Vanama-Rishi. Este livro continha os fundamentos do sistema Asana Vinyasa do Ashtanga Yoga. No Mysore, Krishnamacharya transmitiu os seus ensinamentos ao seu aluno mais antigo e experiente, Sri K. Pattabhi Jois., que ensinou e desenvolveu o que aprendera com satguri até deixar o mundo físico, em 2009. Criou o Sri K. Pattabhi Jois Ashtanga Yoga Instituto, no Mysore, que é até hoje o mais conceituado centro de estudo desta prática e onde chegam alunos de todo o mundo para aprender o método com devoção.


           O fundamento filosófico do Ashtanga Yoga encontra-se num outro livro, o “Yoga Sutra“ de Patanjali. É o texto mais importante do yoga clássico. Neste livro o yoga é definido como "o que leva a tranquilidade aos pensamentos". Através de um espírito calmo pode reconhecer-se a verdadeira natureza do Ser. Para atingir essa meta, Patanjali descreve oito fases (Ashtanga Yoga: ashta=oito, anga=passo, Yoga=sossego do espírito):



Yama (códigos morais)

Niyama (purificação e estudo)

Asana (posição)

Pranayama (controlo respiratório)

Pratyahara (controlo dos sentidos)

Dharana (concentração)

Dhyana (meditação)

Samadhi (contemplação)


       As raízes do sistema vinyasa do Ashtanga Yoga surgem também descritas no primeiro documento escrito pela humanidade, os Vedas.

              O método Ashtanga é um sistema dinâmico e vigoroso, baseado em 6 sequências. A prática inicia-se com Surya Namaskar A e B, de seguida executam-se os Asanas Fundamentais e logo depois o yogi pratica uma das series que se seguem, apenas avançado para a seguinte após ter aprendido a anterior:


Série Primária (Yoga Chikitsa)

Série Intermédia (Nadi Sodhana) ou Segunda Série

Série Avançada A (Terceira Série)

Série Avançada B (Quarta Série)

Série Avançada C (Quinta Série)

Série Avançada D (Sexta Série)


             A Série Primária tem como objectivo a limpeza dos órgãos e dos tecidos internos. Através do suor e do calor gerado, os líquidos corporais perdem viscosidade e o organismo é limpo de impurezas. A Série Intermédia pretende purificar o sistema nervoso. A Série Avançada A promove a força e o equilíbrio corporal e a concentração mental. As séries mais avançadas possibilitam atingir a transcendência mental e corporal. 


         A prática termina em Savasana, convidando ao relaxamento e à meditação. Deve praticar-se todos os dias, excepto ao Domingo e em dias de Lua (Lua Cheia e Lua Nova). As aulas são normalmente estilo Mysore, cada aluno pratica ao seu ritmo e consoante o seu nível, sob a supervisão atenta do professor.

           Quando a respiração, Pranayama Ujjayi, e o movimento, através de posturas (asanas) se unem, surge o Vinyasa. Os pensamentos dissolvem-se, no fluir do movimento. A respiração, contínua e profunda, como um murmúrio interno do oceano, gera um calor intenso e sereno, entre inspirações, nos movimentos ascendentes e expirações, nos movimentos descendentes. A prática avança subtilmente, permitindo a realização de esforços físicos com facilidade. 

           Existem três Bandhas que fucionam como válvulas energéticas internas. Mula Bandha consiste na contracção dos músculos pélvicos, importante durante a expiração, conectando o corpo ao elemento Terra. Uddiyana Bandha refere-se à contracção da musculatura abdominal inferior durante a inspiração, elevando o organismo em direcção ao elemento Ar. Estes dois Bandhas opostos criam uma dualidade de energias descendente e ascendente, que, quando balanceadas e equilibradas, criam uma harmonia interna e saudável. Jalandhara Bandha, por fim, não é utilizado em todos os movimentos e é conseguido baixando o queixo.

           Drishti é uma técnica de focalização do olhar e permite desenvolver a força de concentração. Existem nove drishtis distintos, associados a cada asana em específico.

          Tristana é a chave espiritual do Yoga Ashtanga, Refere-se ao conjunto de Vinyasa, Bandha e Drishti. Quando atingido este estado, a prática do shala conecta-se à nossa vida quotidiana.


           
          Acordar bem cedo para praticar Ashtanga, antes do nascer do sol, permite sentir a energia de mais um bonito dia que se inicia e a natureza revitalizante em redor. O Ashtanga é desafiante, é um longo caminho que requer empenho e dedicação, exingindo um compromisso árduo com a prática. Uma vez compreendido e assumido, esse  compromisso transforma-nos, eleva-nos, melhora-nos. Surge assim, a componente espiritual e trandescente da prática.

        O sistema Ashtanga pode ser praticado em qualquer shala do mundo. É isso que torna esta prática tão bela e tão rica. É como sentir-se em casa em todo o mundo, é como levar um pouco de nós ao mundo e trazer connosco um pouco da leveza e da liberdade desta prática universal.